Revendo aos filmes que me inspiraram no projeto da vídeo-instalação – Jules et Jim e Bande à part – penso na sutileza dos detalhes da linguagem cinematográfica. A freqüente falta de diálogos, trocados por expressões diversas como sorrisos e olhares, e o uso incisivo da câmera na mão nestes filmes, me faz pensar na sensação de naturalidade dos acontecimentos ou até mesmo no mero acaso. As mulheres podem trocar de amantes, se desejarem, e elas fazem isso com o descompromisso de quem, esporadicamente, fuma um cigarro. Porém, o fato de estarem com um ou com outro, tanto não depende de suas próprias escolhas, como o rumo que suas vidas podem alcançar tem, na própria causa, a conseqüência da devoção apaixonada. É neste momento que o trágico e o desnorteante invade a delicadeza do filme em busca do incômodo contrastante. Para Jules e Jim a perda de controle da situação amorosa supostamente guardada nas mãos de Catherine é na verdade fruto da loucura insana em que três vidas se encontram mergulhada: o delirar arrebatador do amor e da paixão, trazendo para o filme o caos. Após a calmaria experimentada pela sensação de paz e amor com os dois homens é incontrolável que venha a ventania. Vem para lavar a alma de quem se encontra com a sublime sensação de escape. A tempestade traz correria para aqueles que andam sem guarda-chuva na rua, mas mata a sede da plantação que está à espera da água para semear.

