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A última parte da pré-produção do projeto está nos testes da projeção na água. Somente achando problemas e soluções para a projeção da imagem é que conseguirei na segunda parte do projeto, iniciar as gravações e captação dos músicos. O roteiro do vídeo escrito anteriormente ao uso e funcionamento do aparato deverá ser seriamente repensado após as várias conclusões feitas ao longo das tentativas e erros.
Foram dois dias de testes, e já sabendo que a imagem talvez não parasse na água adereços foram usados desde o início. No primeiro dia, testei a projeção da imagem na água pura e o que aos nossos olhos não aconteceu, incrivelmente brilhou e apareceu nas fotos tiradas. Neste momento, alternativas foram pensadas, como fazer do produto final um vídeo e não a vídeo-instalação. Como segundo teste, comprei dois panos brancos e bem finos e coloquei junto à água, neste momento um nova sensação surgiu, mas ainda não me via plenamente contente com o resultado. Como terceiro teste do dia, já havia pensado anteriormente na tentativa de deixar a água branca, e com cal virgem eu testei a projeção, esta ficou um pouco melhor, no entanto com difícil nitidez já que a água não ficou tão branca como deveria.
Foi no segundo dia que as coisas aconteceram de fato, levei para os testes um pedaço de vidro e um saco de 8 kg de cal sinhá. Parece ter encontrado o resultado satisfatório. Aos meus olhos este será o produto final. Desta vez o vidro somente segura a imagem que já está composta na água branca, ao contrário dos panos brancos, lugar onde a imagem se forma, sendo a água mero adereço visual. O vidro parece ser tingido pela imagem e a sensação visual é encantadora.
Ainda assim, o roteiro prévio pensado com tantos detalhes e informações, deverá ser composto agora por imagens grandes, bem definidas e com forte constrate, contorno e saturação de cores. Contudo, meu objetivo está sendo alcançado, e logo terei o resultado que esperava.

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A música

Tratando-se um pouco da referência musical coloco abaixo dois vídeos de parceria entre Riyuichi Sakamoto e Jaques Morelembaum. Um deles foi trilha do filme Babel dirigido por Alejandro González Iñárritu e com roteiro de Guillermo Arriaga, o outro um concerto no Rio. A música tocada inteiramente por piano e cello transmiti um pouco de minha vontade em unir o piano às cordas, no caso do projeto ao contra-baixo acústico. Além deste motivo, a forma desta composição combina ao propósito de minha idéia. Um tanto minimalista e serial, a repetição e os desdobramentos acerca do mesmo tema é de grande inspiração para que se alcance o tema proposto em minha vídeo-instalação: a chuva.

Cito agora um novo trecho do que foi escrito anteriormente sobre a composição musical. Um pouco mais detalhadamente o músico que irá compor para a vídeo-instalação complementa o projeto com suas diretrizes.

Composição musical: grande parte da dramaticidade e tensão do vídeo será dada pela linguagem musical. A música mescla elementos de composição tradicional com outros de composição espontânea e improvisação. Os três instrumentos usados para a composição serão contra-baixo acústico, piano e clarinete, tendo como principal objetivo dialogarem entre si e representarem de maneira musical, elementos da natureza que representam os diferentes momentos de chuva (gotas, vento e raios) variando em dinâmica, intensidade e entrada e saída de desses elementos de acordo com o roteiro. A construção musical nos remeterá subjetivamente a ações, diálogos e sensações em que a narrativa será sutilmente transposta.


Revendo aos filmes que me inspiraram no projeto da vídeo-instalação – Jules et Jim e Bande à part – penso na sutileza dos detalhes da linguagem cinematográfica. A freqüente falta de diálogos, trocados por expressões diversas como sorrisos e olhares, e o uso incisivo da câmera na mão nestes filmes, me faz pensar na sensação de naturalidade dos acontecimentos ou até mesmo no mero acaso. As mulheres podem trocar de amantes, se desejarem, e elas fazem isso com o descompromisso de quem, esporadicamente, fuma um cigarro. Porém, o fato de estarem com um ou com outro, tanto não depende de suas próprias escolhas, como o rumo que suas vidas podem alcançar tem, na própria causa, a conseqüência da devoção apaixonada. É neste momento que o trágico e o desnorteante invade a delicadeza do filme em busca do incômodo contrastante. Para Jules e Jim a perda de controle da situação amorosa supostamente guardada nas mãos de Catherine é na verdade fruto da loucura insana em que três vidas se encontram mergulhada: o delirar arrebatador do amor e da paixão, trazendo para o filme o caos. Após a calmaria experimentada pela sensação de paz e amor com os dois homens é incontrolável que venha a ventania. Vem para lavar a alma de quem se encontra com a sublime sensação de escape. A tempestade traz correria para aqueles que andam sem guarda-chuva na rua, mas mata a sede da plantação que está à espera da água para semear.

A montagem

Algumas imagens dos equipamentos e objetos necessários à montagem do aparato. Fomos até lojas de hidráulica, de tintas, à um chaveiro e um marceneiro.
Na loja de hidráulica compramos uma “jibóia” usada para irrigação de campos, mas chegando em casa vimos que não funcionaria para a suposta cortina de chuva. Tudo o que foi comprado nas outras lojas foi de muito bom uso.

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Ao longo deste último final de semana, fiz a montagem do aparato tecnológico de minha vídeo-instalação. No sábado de manhã em Olímpia, eu e meu pai (um excelente ajudante e arquiteto) saímos atrás dos equipamentos e parafernalhas necessários ao início do processo de montagem. Tubos e conexões de PVC, Cal virgem, ligamentos, bombinha, serra, brocas de furadeira, calha, lixas entre outras coisas foram usadas na construção de meu modelo para o projeto de multimídia.
Levamos quase uma dia para a montagem e seus testes. Em um primeiro momento os furos feitos nos canos ficaram um tanto longe uns dos outros. Tivemos que furar mais e testar novamente. Ao final do dia tínhamos uma calha como depósito de água e inserido nela um arco quadrado de PVC por onde passa-se a água e resulta em uma delicada cortina de “chuva”. Agora o próximo passo, era testar as projeções nesta cortina.

Olá

Esta é a primeira vez que crio um desses espaços que fazem parte da grande integração sujeita nas comunicações em rede. Confesso estar gostando de compartilhar alguns de meus trabalhos feitos ao longo dos meus quatro anos de faculdade. Mas o intuito maior é permitir que outras pessoas acompanhem meu processo de criação do Projeto de Multimídia, uma das disciplinas de conclusão do curso de Comunicação Social – habilitação em Midialogia, localizada no Instituto de Artes da Unicamp.

Paula Ramos

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